quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Vida nova no velho mundo

Fazia muito tempo que não aparecia por aqui mas depois de vários dias caminhando e conhecendo minha nova cidade, Madrid, resolvi dar um descanso para meus pés.

Apesar de estar morando aqui ainda me sinto um pouco turista porque a cidade segue me encantando, sempre quero ver mais, andar mais, conhecer mais.

E claro, como estou em processo de documentação ainda não posso trabalhar nem começar meu mestrado. Mas meu caso é fácil sou casada com espanhol então tenho direito de viver aqui, é só uma questão de tempo e muita paciência. Meu marido passou por tudo isso quando vivíamos no Brasil.

A diferença é a organização, tudo com agendamento prévio, e tem o Colegio de Advogados que prestam serviços gratuitos para te orientar.

Entrei em vários grupos de brasileiros que moram por aqui e trocamos bastante figurinha, tem muito brasileiro ilegal com medo de ser deportado. Mas também tem casos de sucesso de pessoas com crescimento na carreira profissional e em áreas muito especificas de leis e tributos. Planejamento é fundamental para se mudar de país.

Tirando essa parte burocrática, pela qual tenho que de fato fazer, está sendo muito enriquecedora a experiência. 

Como arquiteta, cada dia preparo um roteiro específico de caminhada e quando vejo algum lugar bacana esqueço do roteiro e me permito curtir livremente. Como moro aqui posso fazer visitas aos museus nos dias gratuitos, mas como é férias está sempre tudo muito lotado de turistas porque os madrileños estão na praia. Vou ter que me conter e esperar por setembro. Até tentei uma no Monasterio Descalzas Reales e mesmo chegando as 10:15 já estava esgotado para entrar pagando.

A Fundação da Telefonica sempre tem exposições free, ontem fui em três e a de impressão 3D me surpreendeu. 

Adoro fazer supermercado, nosso feijão ainda não encontrei, tem de vários tipos mas o rosa e o carioquinha ainda não vi por aqui. Os preços variam, tem coisas como os aspargos e as alcachofras que são caras no Brasil aqui é mais barato, o vinho nem se fala muito acessível e a cerveja o mesmo preço.

Transporte só uso o público, adoro, muito bem estruturado. O carro não faz falta nenhuma, pelo menos agora no verão. Os equipamentos urbanos são ótimos, tudo muito prático. 

Tem um app que te fala em quanto tempo chega o ônibus, existem pontos de ônibus que possuem um letreiro eletrônico que já informa o tempo de cada linha assim como em todas estações de metro.

As lixeiras são todas separadas por tipo de descarte e a preocupação com o vidro é enorme. Como em qualquer lugar tem sempre um espirito de porco neh? Outro dia tinha uma senhora com caixas de papelão, ela foi até a lixeira e deixou ao lado...custava desfazer as caixas e colocar dentro?

Enfim, vamos que vamos, aprendendo a cada dia, buscando ser feliz hoje, no caminho.






sexta-feira, 17 de março de 2017

Hora da xepa


As 18:30 ligo para meu marido e pergunto: "E aí, vendeu algo?", ele diz: "uma tortilla".

Não fui trabalhar na feira com ele hoje porque nosso filhote não tinha com quem ficar e meu pé estava doendo.

Para quem não sabe trabalhamos com Chef em casa de comida espanhola e para divulgar mais nosso trabalho na comunidade onde moramos resolvemos participar de uma feira local e, claro dar uma aumentada na receita.

Tudo começou como uma brincadeira e agora é nossa profissão. Como somos apenas nós dois, o trabalho é bem puxado. Dividimos as tarefas da nossa empresa e de casa. 

Em casa ele faz as compras de supermercado, é o motorista oficial da família, quando ele cozinha eu lavo e vice-versa. Eu sou responsável em dar uma geral na casa, mas todos contribuem para que ninguém se sinta sobrecarregado.

Na empresa, faço toda parte de criação, divulgação, planilha de custos e na prática o mise en place. Maridão segue responsável pelas compras de tudo e claro é o chef, cozinha. A parte comercial, é responsabilidade dos dois.

Mas o mais bacana de tudo isso é que nos ajudamos mutuamente não só nas tarefas mas no apoio moral, quando hoje tudo parecia perdido na feirinha, um levantou a peteca do outro. Não desanimamos, e conseguimos vender tudo. 

Ainda temos um longo caminho de aprendizado em tudo, mas a peteca não pode cair nunca nem mesmo na hora da xepa.





segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Explorando um novo universo


No mundo todo as mulheres usam e abusam dos acessórios na cabeça, coisa que não vejo muito por aqui. 

Uma coisa é fato: brasileiras não têm hábito de usar chapéu. Talvez seja algum motivo cultural; nos anos 20 era comum e, com o passar do tempo, se tornou coisa de vovó. Entretanto não podemos negar que a moda chegou tímida há, talvez, dois anos e tem ganhado força a cada verão. Em cidades litorâneas, eles são vistos com mais frequência. Nas demais, nem tanto. Atualmente, as mulheres que usam chapéus são consideradas mais ousadas no que diz respeito ao visual. O que não deixa de ser verdade. Incluir esse acessório na produção é garantia de sucesso. Ou vai dizer que uma mulher andando, por exemplo, no centro de alguma cidade não chama atenção? Em muitos casos, o chapéu torna o look tão diferenciado que a mulher fica poderosa.

Porém, mais que um adorno, é bom lembrar que o uso desse acessório é muito importante em um país como o nosso. Ele é essencial para manter a pele bonita e, sobretudo, saudável. Ao lado do filtro solar, o chapéu, que pode ser até um simples boné, deveria fazer parte do nosso dia a dia, principalmente nessa estação, em que o sol está sempre ali, pronto para queimar nossa pele.

Além do chapéu, adoro os turbantes, os lenços enrolados de formas diferenciadas e faixas coloridas, que além de serem muito utéis no meu caso quando cozinho, dão um charme muito especial ao look mesmo estando de calça jeans e camiseta.

Desafio vocês a usarem esses acessórios tão pouco explorados por aqui. Somos tão criativas e tenho certeza que podemos criar tendência pelo mundo afora com nosso charme brasileiro.

Seguem looks que curto muito. Vamos lá, inspirem-se !!!!!

















sábado, 24 de setembro de 2016

Meu encontro comigo

Sentei no sofá agora, sábado a noite, depois de um banho bem gostoso, me sinto plena, relaxada, feliz.

Aquele aroma de frescor de banho que dura pouco mas é tão bom assim como o lençol recém trocado. Existe melhor sensação que colocar a cabeça no travesseiro com aquele cheirinho de lavanda? Me sinto assim, num campo cheio de alfazemas, a predominância do lilás em harmonia com o azul do céu em um dia de sol. Caminho nesse campo com uma leveza que parece que estou levitando. Sinto até o calor do sol me aquecer. Como é bom !!!! Uma brisa suave traz todo o aroma do campo em minha vida.

Consigo transitar entre meus mundos mesmo acordada. E esse ir e vir, me encanta, vou longe. E é assim que me encontro.

Estou na sala de TV com ela desligada. Sinto necessidade, as vezes, desse silêncio, de estar comigo mesma. Somente a luz do abajur acesa, adoro essa luz, sabe aquela amarelada bem fraquinha que parece estar a luz de velas. Tenho uma mesa de ferro antiga toda trabalhada, verde e redonda, bem a minha frente com meu notebook em cima onde escrevo agora. O sofá desgastado e confortável me abraça assim como meu pijama já muito usado e macio.

Um pijama novo não me daria tanto conforto como esse velho, já com os botões cor de rosa quase por cair, mas sua maciez tem memória. Memória de noites aconchegantes aninhada com filho no sofá, de estar agarrada com meu marido vendo tv na cama, coisas simples mas tão boas de viver. Na mesa de jantar de casa, sentada com minha mãe, em longas conversas, como sempre fazemos noite a dentro. 

A graça desse momento está na consciência do agora, sem vazio nem cheio, de perfeito porque eu respiro e existo. Sem culpas, sem mágoas, de gratidão por tudo que tenho. De ser eu mesma, sem medo, de me olhar no espelho e saber quem sou e como sou. De saber que tenho escolhas, que se não gosto de algo posso mudar de direção. 

Celebro agora a paz que encontro. Uma sensação gloriosa de estar de bem comigo mesma.

Essa luz me conforta, me dá esperança e temperança. Um equilíbrio e bem estar que há muito tempo não sentia.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Versatilidade é a palavra da vez

A crise chegou para muita gente e com certeza ela bateu na minha porta também. Mas o divertido dessa história é que como mãe, tendo um filho para criar, não posso sentar no sofá e me lamentar.

Então minha cabeça começa a funcionar em busca de alternativas. Mas sempre tendo como objetivo meu lado free, autonomia de tempo, dona da minha agenda.

Depois dos 40, não quero apenas pagar as contas e ter retorno financeiro do meu trabalho. Quero ter prazer na minha atividade profissional, seja ela qual for, e ter tempo para minha família.
Para isso, então, tenho, minha amiga, que ser versátil.

Adoro a criação, o desafio do desenvolvimento, seja ele um azulejo, uma casa, uma toalha, um logotipo.

A grana é o resultado final, mas meu caminho está sendo fantástico. E é isso o que quero, dar os passos felizes...

Arquiteta, cozinheira, designer, empresária, e tudo o mais que aparecer e me faça trabalhar feliz !!!!

domingo, 24 de julho de 2016

Livre para me amar


O tempo passa e eles crescem. A velocidade varia entre eles. O meu cresceu rápido demais em muito pouco tempo, adquiriu uma independência emocional que não sou capaz ainda de acompanhar.
Isso é muito bom para ele afinal teve que aprender a conviver em duas casas e não tem problemas com isso.

Em sua primeira longa viagem com o pai, ele tinha apenas 4 anos. Eu comecei a chorar dois meses antes e fui aprendendo a lidar com isso. Nesse última não chorei antes da viagem, e por incrível que pareça, nem no dia em que foi viajar. Muito pelo contrário, escrevi uma carta bem legal, pedindo fotos para que ele lembrasse de mim em alguns momentos da viagem.

Tenho trabalhado muito minhas emoções em relação ao meu nem tão mais baixinho e pequeno.

 Precisamos evoluir mas esse caminho não é fácil para mim. Sempre disse que quando nos acostumamos com uma fase, sem esperar ela muda radicalmente. Pois é. Agora estou 18 dias sem ouvir sua voz, sem nenhuma expressão ou manifestação de sua parte. E não teria valor nenhum para mim cobrar isso, gostaria apenas de ouvir um oi e uma historia da sua viagem. Tenho que aprender a não esperar nada, a vida tem seu próprio tempo.

Quando já não somos mais necessárias, quando percebemos que não fazemos falta, temos que respeitar e buscar um caminho de entendimento próprio. O desapego...deixar voar e voltar no seu tempo, seu tempo de amor.

Obvio que sei que me ama muito...

Apenas sinto muito sua falta, Leo. Te amo demais e a prova desse amor é te deixar livre de cobranças para ser como é e me amar como sabe amar.



sábado, 16 de julho de 2016

ARTE FLAMENCA

Principalmente no sul da Espanha, mas também há movimentos de estilos flamencos na Catalunha devido a migração de muitos andaluzes do campo para tornassem operários.

 A arte flamenca se manifesta fundamentalmente através da música e da dança.





Como el agua



Aire                                                       La vida sale

Sevilla tiene un color especial                      Mirala cara a cara





Vino Tinto     Cuando amanece

















































terça-feira, 12 de julho de 2016

O que fazer quando não estamos satisfeitos?


Estava lendo um texto da jornalista Rosana Braga, muito interessante sobre como as pessoas que desejam crescer, melhorar e evoluir e, aqui acrescento, as mudanças que almejam para um mundo melhor, sem atrocidades, ocorram em sua vida e no mundo.

Ela diz que primeiro tem-se que desejar de fato estas mudanças e que é essencial que haja antes uma mudança interna.

Ou seja, que ela mude sua forma de pensar, de agir e de se comportar diante da vida. Tem uma frase da PNL, Programação Neurolinguística, que diz assim:

Se você continuar tendo as mesmas atitudes que sempre teve, vai continuar obtendo os mesmos resultados que sempre obteve.

Isso significa que para obter novos resultados é preciso ter novas atitudes!

Se tem algo na sua vida que queira mudar, se existem injustiças e atrocidades no mundo com as quais você não goste, não acha justo, leia, se informe, saiba o que de fato possa fazer para que ocorram mudanças.

Não fique sentado esperando que as mudanças ocorram sozinhas sem ações. Comece um projeto, mesmo que pequeno, e o coloque em prática. Com certeza, os benefícios serão melhores para que você se sinta bem e como consequência, construa um mundo melhor.

Mude de atitude e coloque em prática algo construtivo que possa mudar essa situação !!!


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Touradas

Foto: Campanha da Dolce & Gabana 2015
O protagonista da campanha é o toureiro José Maria Manzanares




Não vou entrar aqui na questão polêmica de se manter ou não as touradas, esse não é meu objetivo.

Vou apenas relatar um pouco o que é e sua história, que como a dança flamenca ou a paella, fazem parte da identidade cultural de um país que eu tanto aprecio, a Espanha.




Como surgiu a tourada?


Na Espanha do século III a.C., a caça aos touros selvagens já era um esporte popular, com raízes em cultos religiosos ancestrais. “O animal era celebrado como deus da fertilidade pelos povos mediterrâneos da Antiguidade. Antes dos casamentos, o ritual exigia que o noivo matasse um touro para invocar uma união próspera”, diz o antropólogo holandês Marco Legemaate, especialista no assunto. No início da Idade Média, por volta do século V, a matança do bicho havia se consagrado, na península Ibérica, como exercício de coragem e destreza e os touros eram perseguidos até a exaustão por multidões, também comemorando casamentos, nascimentos e batizados. Algo parecido ocorre até hoje na festa de São Firmino, em Pamplona – onde, todo ano, mais de 2 mil pessoas correm dos touros soltos nas ruas da cidade espanhola – e na famigerada Farra do Boi, aqui mesmo no Brasil, em Santa Catarina.
Mas o registro mais antigo de algo semelhante às touradas atuais só aparece em 1135, como parte dos festejos da coroação de Afonso VII, rei de Leão e Castela. Nessa época, porém, o toureiro era um nobre que enfrentava o touro montado a cavalo e armado de uma lança. “Esse era o teste supremo na preparação dos cavaleiros medievais espanhóis”, afirma Legemaate. Para os plebeus, restava o papel de escudeiro, que, a pé, ajudava a liquidar o bicho. Esses papéis seriam invertidos numa surpreendente reviravolta histórica. Com a chegada à Espanha da dinastia francesa dos Bourbon, no início do século XVIII, a nobreza local abandonou diversões rústicas como essa para se entregar aos prazeres da corte, deixando a arena livre para camponeses e boiadeiros criarem a tourada moderna. Resultado: o antigo escudeiro assumiu o papel principal de toureiro e o cavaleiro passou a ser o mero coadjuvante que ajuda a minar a resistência do animal.
“Aí começam a surgir o repertório de técnicas e manobras e o conjunto de regras que definem a tourada como arte popular”, afirma Maria de La Concepción Valverde, professora de literatura espanhola da Universidade de São Paulo (USP). A figura-chave nesse processo, ainda no século XVIII, foi o lendário Francisco Romero, o primeiro toureiro profissional, creditado como introdutor da espada, para liquidar o touro, e da muleta, uma capa de tourear menor. Entre 1910 e 1920, a tourada atingiria seu apogeu como febre nacional, estimulada pela rivalidade entre Joselito e Belmonte, famosos por criarem novas manobras espetaculares. Hoje, as 325 arenas espanholas são palco de 17 mil touradas por ano, movimentando mais de 1 bilhão de dólares e empregando 200 mil pessoas – quase 1% da força de trabalho do país.



Sangue e areia

A luta entre homem e animal é de vida ou morte

1. No início, a única defesa do toureiro é o capote, capa vermelha de forro amarelo. Incapaz de distinguir cores, o bicho é atraído pelo movimento do pano – o vermelho só serve para disfarçar as manchas de sangue. A manobra fundamental é a verónica: o toureiro segura o capote com as duas mãos e dribla o animal com um recuo de pernas
2. Especialmente treinados para a batalha, os touros pertencem à espécie selvagem mais feroz que existe: Bos taurus ibericus. Eles ficam no mínimo três anos em cativeiro à espera da arena, mas nem os sobreviventes retornam a ela: os touros têm uma memória tão impressionante que poderiam fugir de uma segunda luta
3. Enquanto o matador cansa o touro, entram em ação os picadores, cavaleiros com lanças que espetam o animal para diminuir a força dos músculos do pescoço e das patas dianteiras. Três estocadas bastam para o touro perder quase 2 litros de sangue. Mesmo vendado e protegido por lonas de algodão e camurça, o cavalo também sai ferido com os ataques
4. Outros ajudantes do toureiro, os banderilleros, fincam varas com ponta de arpão na traseira do pescoço do touro, região cheia de terminações nervosas. O objetivo é enfurecer o bicho para o final da luta. Em geral, seis banderillas são cravadas, uma para cada ataque do banderillero, que atua sem proteção
5. No final da luta, o matador enfrenta o touro com a muleta, uma capa vermelha de apenas 56 cm de largura montada num bastonete de madeira, toureada com apenas uma das mãos. Com o toureiro cada vez mais próximo do bicho, as manobras ficam mais arriscadas
6. O toureiro coloca o animal na posição ideal para o sacrifício, distraindo-o com a muleta e mantendo-o de cabeça baixa e com as patas dianteiras unidas. Assim, fica descoberto o “olho das agulhas”, região entre os ossos na junção do pescoço, que deve ser atravessada com a espada para que o touro tenha uma morte rápida
7. Se a lança de 90 cm de aço atinge a aorta do bicho, a morte é instantânea. Ao todo, a luta dura cerca de 45 minutos e, para o toureiro, o prêmio máximo para um desempenho excepcional é receber as orelhas e a cauda do animal. Pela tradição, os animais mortos são vendidos a açougues depois de retirados da arena
Fonte: Revista Super Interessante

Arte e touradas

“Na maioria das civilizações o touro, tema central da exposição, é um símbolo místico que significa força, coragem e fertilidade. Esta força animal que os touros mostram é retratada de forma fascinante nas obras destes artistas”, explica Monika Bourian Jourdan. “Para os artistas, a tourada não representa apenas um espetáculo. Para Goya, por exemplo, tauromaquia foi inicialmente uma ferramenta para expressar sua dissidência política. A exposição apresentará a série completa de gravuras Tauromaquia, de Goya, uma das suas séries mais famosas”.

O artista espanhol Francisco Goya foi o primeiro a representar visualmente a história das touradas, com a série de 33 gravuras em água-forte denominada "Tauromaquia", iniciada em 1815. Além de mostrar como as touradas surgiram e evoluíram, as gravuras descrevem as touradas como eram perto de 1800 [fonte: Schulz].



Goya, por sua vez, usou a tauromaquia para expressar sua dissidência política contra os nobres, opressores do povo. Suas obras retrataram a tourada como uma arena mística, em que algo está sempre acontecendo.Vista como um confronto entre a liberdade e a força bruta, a tauromaquia pode também ser interpretada neste conjunto de obras como uma metáfora do poder opressor ou da capacidade para autoafirmação e emancipação. Em muitas civilizações, o touro, figura central desta mostra, tem o significado de força, bravura e fertilidade.



Picasso foi influenciado por Goya. Baseou-se no uso do conhecimento do “chiaroscuro” (luz e sombra) de Goya para a produção de sua própria obra, utilizando-a como instrumento de protesto contra a ditadura do General Franco. Picasso e Goya utilizaram este tema para manifestar profundo sofrimento e resistência à opressão.

 Nos anos 1966-67, Salvador Dalí transformou a famosa “Tauromaquia Suite” (1957-59), de Picasso numa extensão do diálogo artístico que os dois artistas mantiveram durante anos. 






A ópera "Carmen", do compositor francês George Bizet, narra a história de uma garota de Sevilha e seu amante matador. E apesar da letra de "Take a Bow", de Madonna, não mencionar touradas, no vídeo da música um matador fica em evidência.



domingo, 10 de julho de 2016

Morcilla, morcilha, morcela







A morcilla de Burgos é um alimento básico da gastronomia burgalesa. Procedente do porco, a morcilla de Burgos se compõe basicamente de cebola, sangue, manteiga e arroz, e outros componentes como temperos que também são agregados.

A morcilla de Burgos, com suas características atuais, não parece equiparar-se com a de dois séculos e meio, porque o arroz, cultivo proibido em Valência desde os finais do século XIV até meados do século XVIII, somente chegou então ser abundante e barato em Castilha com o desenvolvimento da tecnologia de cultivo do mesmo, assim como na província de Burgos e o entorno das províncias limítrofes.

Segundo o filosofo grego Platão, Mithaïcos, 428 AC, a morcilla foi inventada pelo grego Aftonitas. Aparece uma menção da morcilla na Odisseia de Homero. (pessoal, essa informação eu encontrei em sites espanhóis). Embora a palavra morcilla aparece documentada há muito tempo, a palavra típica do castelhano e português, morcela, é de origem incerta. Parece haver parentesco com o castelhano MORCON, 1599, que designa um embutido semelhante. Se é assim, esta vem de MURCONE e morcilla de uma base de MURCELLA, de mesma raiz, seguramente pré-romana; e aparentada com o basco MUKARRA “objeto disforme e volumoso” e com o céltico MUKORNO “munhão”*

* eixo colocado a meio comprimento da peça de artilharia e que permite que a mesma se possa elevar ou baixar

A morcilla é um alimento de elevado valor calórico. O seu conteúdo de proteína e gordura provem, em sua maioria, dos seus ingredientes de origem animal como a manteiga e o sangue de porco embora também contribuam em menor proporçã o os ingredientes vegetais.

O conteúdo glicídico é proveniente do arroz e da cebola. A combinação das matérias primas de origens animal e vegetal permitem obter uma complementariedade proteica seguindo assim um aporte adequado de aminoácidos essenciais para o organismo humano, ou melhor dizendo, uma proteína de melhor qualidade.
A textura é suave e uniforme, embora possa variar dependendo se o arroz é pré-cozido ou não. O aroma é condicionado pelas especiarias utilizadas em sua elaboração.

Elaboração


O processo de elaboração, se conta com pequenas variações locais: se pica a cebola pequena e a manteiga, se mistura com o arroz e com todos os demais ingredientes, se mexe, para mesclá-lo bem; depois de estarem as tripas bem lavadas se recheiam com a mescla levando em conta que se deve rechear uns 50% devido ao arroz que aumenta de volume. Se põem a cozinhar em água fervendo com uma pitada de sal e se mantem durante uma hora. As tripas usadas habitualmente são de porco embora também se utilizem de outros tipos como tripas de vaca ou de vitela. Este caldo que resulta da cocção, se chama caldo mondongo, em alguns lugares denominado calducho. Desta maneira, a morcilla se pode comer «crua» porque que já está cozida, e comumente é servida frita, asada ou cozida.

O porco de raça tradicional, alimentado com abundância de hidratos de carbono e acelerando o engorde dos animais que tem mais de um ano, resulta saboroso.

A cebola, de sabor forte, picante, com casca firme protetora e de larga conservação, plantada na primavera, produzida em horta familiar e colhida no outono, são penduradas em ramos airados em locais secos para sua conservação.



O pão, denso e amanhecido, a fim de dar melhor textura para cortá-lo em tiras finas, permitia controlar a fluidez do invólucro para “entripar”, não se usava em todas as comarcas.

O arroz, único ingrediente básico de fora, se juntava cru ou levemente cozido (poucos minutos) para dilatá-lo e as especiarias restantes, salvo a pimenta negra e, geralmente, o pimentão, se usavam com carácter opcional (canela, cravo, orégano, tomilho…).

O processo começa com a retirada do sangue do porco e batê-lo para evitar a coagulação. Depois se extrai a barriga, se desenrola, separando as partes, lavando e cortando as tripas no tamanho adequado, atando-as ou costurando-as por um extremo.

Se picam em quantidades similares manteiga e cebola, que se envolvem com arroz em uma quantidade idêntica e de sangre algo maior (25% a mais), juntando pouco sal, pimenta e pimentão abundantes assim como outras especiarias que se desejem.


Essa mescla pastosa, a mondongo, mistura homogeneizada e repousada, se envasa a mão com as tripas, depois as quais se costuram ou se atam em gomos pelos extremos.

A fase seguinte é a cocção em caldeira de cobre a fervor suave durante quase uma hora, segundo gostos, escolhido o mondongo (arroz cru ou pré-cozido) e tipo de tripa, molhando as morcillas para evitar que explodam.

Eu particularmente gosto mais delas fritas, mas como de todas as formas. Aqui no Brasil, eu ainda não achei a com arroz, que é maravilhosa. 



No La Fiesta, servimos a Tosta de Morcilla, pão torrado, ovo e codorna e morcilla, é divina.




Video:Como fazer tosta de morcilla do La Fiesta

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